Resgatar o espaço viário

Nas últimas quatro décadas, o Brasil saiu da condição de país essencialmente rural para ter 85% da sua população vivendo em áreas urbanas (IBGE 2010). O índice do Paraná é semelhante, 85,3% dos paranaenses estão em cidades (IBGE 2010). Um ritmo de urbanização acelerado, se comparado com China (50%), Índia (30%), África (40%) e no mesmo patamar da América do Sul (85%). Esse crescimento das áreas urbanas acontece sem planejamento, na maioria dos municípios, e vem acompanhado de uma série de carências que impactam especialmente a população de baixa renda. A mobilidade urbana é um dos grandes desafios a ser vencido neste cenário, por isso o governo federal estabeleceu, por meio da Lei Federal 12.587/2012, que todos os municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes deverão ter o Plano Municipal de Mobilidade Urbana.

"A política de ocupação do solo urbano somada a políticas setoriais dissociadas, acabaram por influenciar desfavoravelmente o sistema de mobilidade das cidades. Este é caótico nos grandes municípios, onde, diariamente, são registrados recordes de congestionamento que imobilizam a população por longos períodos", afirma o diretor institucional da DRZ, Rubens Menoli.  A crescente motorização dos habitantes tem acontecido de maneira tão acelerada que inviabiliza o crescimento proporcional da rede viária. Entre 2007 e 2011, mesmo com incentivos fiscais reduzidos, a taxa de crescimento da frota de veículos no Brasil foi 10 vezes maior do que a populacional. Enquanto a primeira foi de 36%, a segunda foi de 3,68%.

O desafio atual é resgatar a cidade para os cidadãos e melhorar a qualidade do espaço viário. “A dificuldade de mobilidade urbana gera externalidades negativas e grandes perdas na economia que contribuem para o declínio da competitividade de uma cidade frente àquelas que tomaram a decisão de enfrentar a crise da mobilidade urbana”, alerta Menoli. A DRZ está atuando na elaboração de planos de mobilidade urbana, os quais visam estabelecer diretrizes para orientar as políticas públicas de mobilidade multimodal e a destinação dos investimentos públicos em infraestrutura.  “A elaboração destes planos tem como objetivo a proposição de um conjunto estruturado de modos, redes e infraestruturas de transporte integrados e complementares, que garantam o deslocamento das pessoas na cidade, mantendo forte interação com as demais políticas urbanas, principalmente as políticas de desenvolvimento urbano”, explica Menoli.